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Por que copiar squads do Spotify não resolve problemas de organização
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- Michel Fernandes
- @michelpf

Fabio Akita retoma a crítica às metodologias ágeis para atacar um caso específico: a venda do chamado modelo Spotify como solução pronta para empresas. Ele descreve squads, tribes, chapters e guilds como uma reorganização de nomes para estruturas conhecidas, com equipes cross-funcionais, coordenação por produto e grupos horizontais de especialidade. O ponto central não é negar que essas práticas possam funcionar, mas mostrar que o modelo era uma fotografia parcial do Spotify entre 2012 e 2014, já contestada por profissionais da própria empresa. Copiar vocabulário e organograma, para ele, é perder o mecanismo que produziu aquele arranjo.
A discussão então se desloca para a ideia de modelos em geral. Akita argumenta que modelos são descrições temporárias de ambientes específicos, não projetos universais a serem implementados de cima para baixo. Para sustentar isso, recorre a sistemas adaptativos complexos, evolução, teoria do caos, redes e auto-organização. A analogia recorrente é que ordem pode emergir de agentes livres sob certas restrições, mas não por decreto. Ele distingue microgerenciamento, que gasta muita energia para manter uma ordem rígida, de anarquia, que depende de sorte, e defende operar no limite entre ordem e caos, com ciclos de aprendizado e correção.
Na aplicação às empresas, a tese passa por alinhamento, autonomia e qualidade dos agentes. Alinhamento significa direção clara; autonomia não significa democracia interna nem poder irrestrito para funcionários decidirem tudo. Para Akita, autonomia deve existir principalmente nas decisões técnicas ligadas à competência de quem foi contratado. Isso só funciona se a empresa tiver profissionais motivados por domínio técnico, não apenas por cargo ou salário, e se remover chefes, líderes e funcionários que bloqueiam decisões, introduzem burocracia ou agem de má-fé. Sem essa limpeza, Scrum, Lean, Kanban ou squads apenas escondem problemas antigos com termos novos.
A parte prática volta ao básico da engenharia: código sempre pronto para produção, integração contínua, testes automatizados, revisão por pares, deploys frequentes e backlog bem definido. Ele critica sprints longos cheios de reuniões, mudanças constantes de prioridade e microserviços usados para mascarar a incapacidade de equipes colaborarem, citando a Lei de Conway. O episódio fecha com a comparação com projetos de software livre, onde pouca estrutura, transparência útil, decisões claras e foco em software funcionando produzem resultados que muitas empresas não conseguem obter com camadas de coaches e rituais.
Referências encontradas
Livros
- The Mythical Man-Month, de Frederick P. Brooks Jr. — Ver livro na Amazon
- The Pragmatic Programmer, de Andrew Hunt; David Thomas — Ver livro na Amazon
- Continuous Delivery: Reliable Software Releases Through Build, Test, And Deployment Automation, de Jez Humble; David Farley — Ver livro na Amazon
- The Selfish Gene, de Richard Dawkins — Ver livro na Amazon
- The Demon-Haunted World: Science as a Candle In The Dark, de Carl Sagan — Ver livro na Amazon
- Chaos: Making a New Science, de James Gleick — Ver livro na Amazon
- Nonlinear Dynamics And Chaos, de Steven Strogatz — Ver livro na Amazon
- Sync: How Order Emerges From Chaos In The Universe, Nature, And Daily Life, de Steven Strogatz — Ver livro na Amazon
- Six Degrees: The Science Of a Connected Age, de Duncan J. Watts — Ver livro na Amazon
- Linked: The New Science Of Networks, de Albert-László Barabási — Ver livro na Amazon
- Drive: The Surprising Truth About What Motivates Us, de Daniel H. Pink — Ver livro na Amazon
Filmes
- The Butterfly Effect — Ver no TMDB
- What The #$*! do We (K)now!? — Ver no TMDB
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