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Império americano, guerra e declínio na disputa com China e Sul Global

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A conversa parte da ideia de que o poder dos Estados Unidos foi naturalizado como se fosse uma condição permanente da ordem mundial. Kenji apresenta o conceito de “normose” como a normalização de estruturas doentias e aplica essa chave ao imperialismo, à guerra e ao soft power americano. José Kobori acrescenta que impérios em declínio tendem a usar seus últimos recursos para reafirmar poder, especialmente a força militar. A discussão não trata os Estados Unidos como um desvio recente causado por Donald Trump, mas como uma estrutura histórica que atravessa governos, organismos multilaterais e interesses corporativos.

O eixo econômico aparece na explicação de Kobori sobre Bretton Woods, hegemonia do dólar, déficits americanos e financiamento da expansão militar. Ele argumenta que o dólar como moeda de reserva permitiu aos Estados Unidos emitir dívida, sustentar bases militares e financiar guerras, enquanto pregava ao resto do mundo austeridade, privatização e livre comércio. A ascensão da China entra como o ponto de inflexão: ao controlar capitais, câmbio, crédito e investimento produtivo, a China teria escapado da cartilha neoliberal e se tornado uma alternativa econômica para países que antes dependiam do eixo americano.

Kenji organiza a história americana em três formas de invasão: a externa, por guerras e golpes; a interna, pela criação de inimigos domésticos; e a mental, via cultura e propaganda. A conversa passa pelo destino manifesto, pela Doutrina Monroe, pela industrialização americana e por casos como Irã, Guatemala, Brasil, Afeganistão, Iraque e Ucrânia. Os exemplos mostram um padrão: líderes nacionalistas ou reformistas passam a ser tratados como comunistas ou terroristas quando ameaçam interesses estratégicos, como petróleo, terra, rotas comerciais ou empresas americanas. A Guatemala, derrubada após enfrentar a United Fruit Company, vira o exemplo mais concreto dessa lógica.

Na parte final, a guerra é discutida como anestesia moral e como negócio. Os participantes falam da indústria bélica, da produção cultural que apresenta os Estados Unidos como herói e do desgaste dessa narrativa diante de Gaza, Irã e Ucrânia. Há ressalvas: nem todo americano apoia essa política, e há resistência intelectual, cultural e política dentro dos próprios Estados Unidos. A pergunta que permanece é menos sobre quando o império acaba e mais sobre como países como o Brasil podem agir num mundo em transição, sem trocar automaticamente uma dependência por outra nem aceitar a guerra como paisagem normal da política.

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