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Simulados interativos de álgebra linear e otimização

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Esta página transforma os exercícios objetivos das cinco primeiras aulas do curso Fundamentos de Álgebra Linear e Otimização para Aprendizado de Máquina, do professor Marcos M. Raimundo, da Unicamp, em simulados interativos.

São cinco provas separadas por aula, totalizando 49 questões e 196 itens de verdadeiro ou falso. As questões discursivas não foram incluídas.

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Aula 1 — Espaços vetoriais, normas e métricas

8 questões · 4 itens por questão · um erro anula a questão inteira

Progresso

0 de 8 questões corrigidas

Nota: 0/16

Questão 1 · 2 pontos

Teste 1 — Vetores de características e suas operações

1. Considere um vetor de atualização em otimização Δw=-∇ L( w), onde >0 é a taxa de aprendizado e ∇ L( w) é o vetor gradiente da função de perda. Se, por um erro de implementação, o sinal de fosse trocado para negativo, o vetor de atualização passaria a apontar exatamente na mesma direção de ∇ L( w).

2. Multiplicar um vetor de características x∈ℝ^d por um escalar =0 produz o vetor nulo, que deixa de estar associado a qualquer direção específica no espaço de características — a operação de escalonamento, portanto, deixa de estar definida nesse caso extremo.

3. Em um sistema de recomendação, o vetor de perfil de um usuário é atualizado a cada clique somando um vetor de “interesse” ao perfil atual, p_t+1= p_t+ c_t. Essa soma acumula sinais ao longo do tempo exatamente da mesma forma que a soma u+ v de dois vetores de características, mesmo que p_t e c_t vivam em um espaço de embeddings de alta dimensão em vez de ℝ².

4. Como a soma de vetores segue a regra do paralelogramo e produz um vetor “maior” que cada parcela, é sempre verdade que \| u+ v\|₂>\| u\|₂ e \| u+ v\|₂>\| v\|₂, para quaisquer vetores não nulos u, v∈ℝ^d.

Questão 2 · 2 pontos

Teste 2 — Aprendizado supervisionado, a Hipótese de Suavidade e o k-NN

1. Se o hiperparâmetro k do k-NN for definido como k=N (igual ao número total de amostras de D), a predição y_novo para regressão (média dos k vizinhos) deixa de depender da posição da consulta x_novo, tornando-se constante para qualquer consulta.

2. Suponha que a Hipótese de Suavidade fosse completamente falsa para um determinado problema — isto é, pontos muito próximos em ℝ^d tivessem rótulos tão distintos entre si quanto pontos distantes. Nesse cenário, aumentar k (considerar mais vizinhos na votação/média) resolveria o problema, pois a agregação por votação/média sempre corrige rótulos ruidosos.

3. No k-NN, a fase de “treino” consiste apenas em armazenar o conjunto D, sem nenhuma otimização de parâmetros. Esse mesmo padrão — toda a “aprendizagem” reduzida a memorizar os dados, sem fase de ajuste de parâmetros — também descreve corretamente um classificador de regressão logística.

4. Como o k-NN é chamado de método “não paramétrico”, isso significa que ele não possui nenhum hiperparâmetro a ser escolhido, sendo aplicado sempre da mesma forma independentemente do conjunto de dados.

Questão 3 · 2 pontos

Teste 3 — Subespaços vetoriais e o teste de fechamento

1. O subconjunto U=\ 0\, contendo apenas o vetor nulo de ℝ^d, satisfaz as três condições de fechamento (conter a origem, ser fechado sob soma, ser fechado sob multiplicação por escalar) e portanto é, tecnicamente, um subespaço vetorial válido, ainda que trivial.

2. Considere o conjunto-solução de um sistema não homogêneo A x= b com b≠ 0 fixo e solúvel, isto é, U=\ x∈ℝ^n : A x= b\. Esse conjunto deixa de conter a origem (pois A 0= 0≠ b), mas ainda assim permanece fechado sob soma: dados x₁, x₂∈ U, a soma x₁+ x₂ também satisfaz A( x₁+ x₂)= b.

3. Considere o conjunto de todos os vetores de pesos w∈ℝ^d de um classificador linear tais que o hiperplano de decisão wᵀ x=0 passe exatamente por um ponto fixo x_0∈ℝ^d, x_0≠ 0 — ou seja, U=\ w∈ℝ^d : wᵀ x_0=0\. Esse conjunto U é um subespaço vetorial de ℝ^d.

4. Como subespaços vetoriais devem ser “fechados” segundo as três condições acima, e o conjunto de vetores de características associados a exemplos de uma única classe y=1, em um problema de classificação binária, corresponde a uma região geometricamente “fechada” (limitada) do espaço, esse conjunto é necessariamente um subespaço vetorial de ℝ^d.

Questão 4 · 2 pontos

Teste 4 — A Hipótese da Variedade (manifold) e sua relação com subespaços

1. Considere dados que vivem exatamente sobre a superfície de uma esfera em ℝ^3 (uma variedade curva). Se, hipoteticamente, essa esfera tivesse raio tendendo a infinito (curvatura tendendo a zero), a região da variedade visitada por um conjunto finito de dados se tornaria aproximadamente um subespaço afim (o plano tangente local).

2. Como a Hipótese da Variedade afirma que dados de alta dimensão se concentram perto de uma variedade de dimensão intrínseca menor, isso implica que essa variedade é sempre um subespaço vetorial de dimensão reduzida, apenas embutido (mergulhado) em um espaço maior.

3. Um autoencoder é treinado para comprimir imagens de dígitos manuscritos (como o MNIST, originalmente vetores em ℝ^784 para imagens 28×28) em um vetor latente de dimensão 2, com reconstrução precisa a partir desse vetor latente. Isso é coerente com a Hipótese da Variedade: os dígitos manuscritos residem próximos a uma variedade de dimensão intrínseca muito menor do que 784.

4. Suponha que uma variedade de dados seja perfeitamente plana (sem curvatura), mas não passe pela origem de ℝ^d — ou seja, seja um subespaço afim deslocado. Nesse caso, a soma de dois pontos quaisquer dessa variedade ainda permanece sobre a própria variedade, pois “ser plana” já garante, por si só, o fechamento sob adição exigido de um subespaço vetorial.

Questão 5 · 2 pontos

Teste 5 — Normas: L₁, L₂ e L_∞

1. Para um vetor x=[3,4]ᵀ∈ℝ², se generalizarmos para normas L_p, \| x\|_p=≤ft(_i|x_i|^p)^1/p, o valor \| x\|_p converge para _i|x_i|=4 à medida que p→∞ — exatamente a definição de \| x\|_∞ dada nesta aula.

2. As três propriedades que definem uma norma (homogeneidade absoluta, desigualdade triangular, positividade definida) foram enunciadas conjuntamente. Se uma função f:ℝ^d→ℝ satisfizesse a desigualdade triangular e a positividade definida, mas violasse a homogeneidade absoluta (por exemplo, f(λ x)=λ²\|x\|₂ em vez de |λ|\|x\|₂), essa função ainda poderia ser chamada de norma, já que as duas propriedades restantes já garantem que ela mede corretamente o “tamanho” de um vetor.

3. Em regularização de modelos lineares (ex.: Lasso), a penalidade aplicada ao vetor de pesos w∈ℝ^d é \| w\|₁=_i=1^d|w_i|. Substituir essa penalidade por \| w\|_∞=_i|w_i| ainda produziria uma função de penalidade válida do ponto de vista da definição formal de norma, já que \|·\|_∞ também satisfaz as três propriedades exigidas.

4. Como as normas L₁ e L₂ induzem bolas unitárias de formatos geometricamente diferentes (losango vs. círculo), um vetor x com \| x\|₁<\| y\|₁ necessariamente também satisfaz \| x\|₂<\| y\|₂, para quaisquer x, y∈ℝ^d, já que ambas as normas medem o mesmo conceito subjacente de “tamanho”.

Questão 6 · 2 pontos

Teste 6 — Definição formal de métrica e métrica induzida por norma

1. A definição de métrica exige não-negatividade (com d(x,y)=0⇔ x=y), simetria e desigualdade triangular. Se uma função :X× X→ℝ satisfizesse não-negatividade e desigualdade triangular, mas fosse assimétrica ((x,y)≠(y,x) para alguns pares), ela ainda poderia ser usada para ordenar os vizinhos mais próximos de uma consulta fixa x_novo no k-NN (fixando sempre o primeiro argumento como a consulta), mesmo não sendo tecnicamente uma métrica válida.

2. Toda função d:X× X→ℝ que satisfaça d(x,y)≥0 para quaisquer x,y e d(x,x)=0 já pode ser chamada de métrica, pois não-negatividade e anulação na diagonal são exatamente os dois requisitos que caracterizam completamente o primeiro axioma — os demais axiomas (simetria, desigualdade triangular) seriam apenas propriedades adicionais desejáveis, não obrigatórias.

3. Em um sistema de busca de imagens, a “distância” entre dois embeddings u, v∈ℝ^512 é definida como d( u, v)=\| u- v\|₂² (a norma Euclidiana ao quadrado, sem a raiz). Essa função ainda satisfaz a desigualdade triangular d(u,z)≤ d(u,y)+d(y,z) para quaisquer u,y,z, herdando essa propriedade diretamente da norma L₂, da mesma forma que d(x,y)=\|x-y\|₂ satisfaz.

4. A métrica induzida pela norma L_∞ desta aula, d_∞( x, y)=\| x- y\|_∞=_i|x_i-y_i|, satisfaz automaticamente os três axiomas de métrica, pelo mesmo argumento geral de que toda métrica induzida por uma norma válida herda essas três propriedades da norma que a define.

Questão 7 · 2 pontos

Teste 7 — Distância Euclidiana e a maldição da dimensionalidade

1. A “maldição da dimensionalidade” descrita para a distância Euclidiana implica que, em espaços de dimensão muito alta (d1000), o algoritmo k-NN deixa de fazer qualquer sentido matemático, pois a distância entre quaisquer dois pontos passa a ser exatamente igual, tornando a operação de ordenação por distância mal definida.

2. Suponha que, em vez da soma usual de d termos quadráticos, a norma L₂ fosse recalculada usando apenas duas coordenadas fixas de um vetor de altíssima dimensão (d=10 000), ignorando as demais 9 998 coordenadas. Nesse caso reduzido, o fenômeno de perda de contraste descrito para altíssima dimensão deixaria de se manifestar da mesma forma, pois o “colapso” de distâncias é, estruturalmente, um efeito do número de coordenadas somadas na norma, não do rótulo nominal da dimensão do espaço ambiente.

3. No dataset Breast Cancer Wisconsin (classificação de diagnóstico de tumores a partir de atributos contínuos), os atributos têm escalas bem diferentes — por exemplo, area_mean na casa das centenas e smoothness_mean na casa dos centésimos. Se o k-NN for aplicado sobre esses atributos sem nenhum reescalonamento (feature scaling), a distância Euclidiana entre dois pacientes será dominada pelos atributos de maior escala numérica, mesmo que atributos de escala menor sejam igualmente ou mais informativos para o diagnóstico.

4. No caso particular em que o espaço de características tem dimensão d=1 (uma única variável numérica), a distância Euclidiana d₂(x,y)=\|x-y\|₂ se reduz a |x-y|, e o fenômeno de “colapso de distâncias” descrito para dimensões muito altas não se aplica, pois não há múltiplas coordenadas cujas contribuições possam se diluir estatisticamente.

Questão 8 · 2 pontos

Teste 8 — Similaridade e Distância do Cosseno: métrica ou quase-métrica?

1. Suponha, hipoteticamente, que a Desigualdade de Cauchy-Schwarz não fosse válida em ℝ^n. Nesse cenário, a prova de não-negatividade de d_(x,y)=1- — que depende de | x,y|≤\|x\|₂\|y\|₂ para limitar ao intervalo [-1,1] — deixaria de ser válida como está, exigindo uma justificativa alternativa para garantir d_(x,y)≥0.

2. Como d_(x,y)=1- satisfaz não-negatividade e simetria (dois dos três axiomas de métrica), e essas duas propriedades já capturam a “essência” do que significa medir distância, d_ pode ser tratada como uma métrica válida para todos os efeitos práticos e teóricos, inclusive em provas formais que dependam da desigualdade triangular.

3. Em um algoritmo de agrupamento hierárquico aglomerativo aplicado a embeddings de texto, um passo do algoritmo depende de uma desigualdade do tipo “distância(A,C)≤ distância(A,B)+distância(B,C)” para garantir certas propriedades da árvore de fusões. Se d_ for usada diretamente como métrica de distância nesse algoritmo, contando com essa desigualdade, o resultado herda o mesmo risco identificado nesta aula: a garantia pode falhar exatamente pela mesma razão que d_ falha o axioma da desigualdade triangular.

4. No caso extremo em que dois vetores não nulos x,y∈ℝ^n\ 0\ são exatamente paralelos e de mesmo sentido (x=cy para algum c>0), a distância do cosseno atinge seu valor mínimo possível, d_(x,y)=0 — consistente com o primeiro axioma de métrica, mesmo sendo d_, no geral, uma quase-métrica por falhar a desigualdade triangular.

Material original

Os simulados foram montados a partir do curso Optimization and Linear Algebra for Machine Learning, da Unicamp, e das listas das Aula 1, Aula 2, Aula 3, Aula 4 e Aula 5. Consulte as páginas oficiais para acompanhar as notas de aula e eventuais atualizações do professor.