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Os inovadores, de Walter Isaacson: resenha do livro
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- Michel Fernandes
- @michelpf
Neste post, comento Os inovadores, de Walter Isaacson, mais um livro da série sobre leituras que avaliei no Goodreads.

Capa da edição da Intrínseca (2021), a que está à venda hoje. A edição que li é a da Companhia das Letras (2014). Imagem de divulgação: Intrínseca.
Em setembro de 1843, Ada Lovelace, filha do poeta Lord Byron, publicou a tradução de um artigo sobre a máquina analítica de Charles Babbage, acrescida de sete notas explicativas. Uma delas, a nota G, descreve como a máquina calcularia os números de Bernoulli e costuma ser chamada de primeiro programa de computador publicado. Isaacson abre o livro com ela.
The Innovators saiu nos Estados Unidos em outubro de 2014, pela Simon & Schuster. No Brasil, a primeira edição saiu pela Companhia das Letras no mesmo mês, com 568 páginas. Foi essa a edição que li. Em janeiro de 2021, a Intrínseca lançou uma nova tradução, de Donaldson M. Garschagen e Renata Guerra, com 592 páginas.

Alguns marcos tratados no livro. Gráfico elaborado para este post com dados da Wikipedia ("The Innovators (book)" e verbetes de cada marco, listados ao final).
O autor
Walter Isaacson nasceu em Nova Orleans em 20 de maio de 1952. Formou-se em história e literatura em Harvard, em 1974, e depois estudou filosofia, política e economia em Oxford, como bolsista Rhodes. Entrou na Time em 1978 e virou editor da revista em 1996. Em 2001, assumiu a presidência da CNN, e de 2003 a 2018 dirigiu o Aspen Institute. Hoje é professor de história na Universidade Tulane, onde dá todos os anos o curso "The Digital Revolution". Antes de Os inovadores, escreveu biografias de Henry Kissinger, Benjamin Franklin, Albert Einstein e Steve Jobs. Depois vieram as de Leonardo da Vinci, Jennifer Doudna e Elon Musk.

Walter Isaacson na TechCrunch Disrupt, em San Francisco, em setembro de 2014, um mês antes do lançamento do livro. Foto: TechCrunch (redimensionada), Wikimedia Commons, CC BY 2.0.
O livro
São doze capítulos. O primeiro é sobre Ada Lovelace, e os seguintes tratam do computador, da programação, do transistor, do microchip, dos videogames, da internet, do computador pessoal, do software, dos serviços online e da web. O último se chama "Ada Forever" no original. Pelo caminho aparecem Alan Turing, Grace Hopper, John von Neumann, Robert Noyce, Bill Gates, Steve Jobs e Tim Berners-Lee, entre outros. Segundo a NPR, o livro reúne mais de 40 personagens.
Em entrevista à rádio, Isaacson disse que os biógrafos distorcem um pouco a história quando contam a inovação como o estalo de um gênio sozinho numa garagem. Na era digital, ela acontece em equipes. Ele percebeu isso ao escrever sobre Steve Jobs, quando viu o peso do time em volta do biografado.
Como o livro foi escrito
Durante a pesquisa, Isaacson publicou rascunhos de capítulos em sites como o Medium e pediu correções aos leitores. Na entrevista ao Fresh Air, Isaacson disse que 18 mil pessoas comentaram e sugeriram mudanças em um único capítulo curto, o do computador pessoal, entre elas Stewart Brand.
Em dezembro de 2015, a Simon & Schuster publicou uma edição eletrônica revisada, que corrigiu erros do capítulo sobre software. Isaacson entrevistou Bill Gates, mas não Paul Allen, e na primeira versão deu a Gates quase todo o crédito pelo início da Microsoft.
Recepção
Peter Conrad, no Guardian, chamou o livro de uma história lúcida, empolgante e divertida da era digital. Ele criticou o otimismo do autor, que deixa de fora o lado sombrio da internet e confia na Wikipedia mesmo com ela exposta a vândalos e mentirosos.
Jonathan A. Knee, no DealBook, do New York Times, achou a história necessária e bem contada, mas viu uma contradição na tese. Para ele, o próprio relato está cheio de ideias que surgem no chuveiro ou durante o sono, e nenhuma, de que ele se lembre, numa sessão de brainstorming em equipe. Knee também viu pouco domínio da economia dos negócios e pouco equilíbrio na parte final: a computação em nuvem fica de fora, e Amazon e eBay aparecem de passagem ou nem aparecem.
Li o livro em novembro de 2023 e dei cinco estrelas no Goodreads. Na resenha, escrevi:
Those who loved Pirates of Silicon Valley will love this book! The title does not endorse the full potential of the history of computers, software, and the internet.
I wouldn't expect less than awesome reading from Isaacson.
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Leia também: Computadores não são só calculadoras mais rápidas, Matéria escura, de Blake Crouch: livro e série.
Para saber mais
- Livro: Os inovadores, de Walter Isaacson. Intrínseca, 2021. Tradução de Donaldson M. Garschagen e Renata Guerra. ISBN 978-6555601367.
- Livro: Os inovadores, de Walter Isaacson. Companhia das Letras, 2014. Primeira edição brasileira, a que li. Pode estar esgotada. ISBN 978-8535925029.
- Editora: "Os inovadores", Intrínseca.
- Edições: "The Innovators: editions", Goodreads (inclui a edição da Companhia das Letras de 2014).
- Entrevista: Dave Davies, "How The Cold War And George Orwell Helped Make The Internet What It Is", Fresh Air, NPR, 6 out. 2014, e transcrição completa.
- Resenha: Peter Conrad, "The Innovators by Walter Isaacson review", The Guardian, 20 out. 2014.
- Resenha: Jonathan A. Knee, "A History of Innovation, With a Few Blind Spots", DealBook, The New York Times, 7 out. 2014.
- Wikipedia: "The Innovators (book)".
- Wikipedia: "Walter Isaacson".
- Wikipedia: "Ada Lovelace".
- Wikipedia, verbetes usados no gráfico: "Turing's proof", "ENIAC", "Transistor", "Integrated circuit", "Spacewar!", "ARPANET", "Altair 8800", "Microsoft", "World Wide Web", "Linux", "Google" e "Wikipedia".