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Os inovadores, de Walter Isaacson: resenha do livro

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Neste post, comento Os inovadores, de Walter Isaacson, mais um livro da série sobre leituras que avaliei no Goodreads.

Capa de Os inovadores, de Walter Isaacson

Capa da edição da Intrínseca (2021), a que está à venda hoje. A edição que li é a da Companhia das Letras (2014). Imagem de divulgação: Intrínseca.

Em setembro de 1843, Ada Lovelace, filha do poeta Lord Byron, publicou a tradução de um artigo sobre a máquina analítica de Charles Babbage, acrescida de sete notas explicativas. Uma delas, a nota G, descreve como a máquina calcularia os números de Bernoulli e costuma ser chamada de primeiro programa de computador publicado. Isaacson abre o livro com ela.

The Innovators saiu nos Estados Unidos em outubro de 2014, pela Simon & Schuster. No Brasil, a primeira edição saiu pela Companhia das Letras no mesmo mês, com 568 páginas. Foi essa a edição que li. Em janeiro de 2021, a Intrínseca lançou uma nova tradução, de Donaldson M. Garschagen e Renata Guerra, com 592 páginas.

Linha do tempo com alguns marcos tratados em Os inovadores

Alguns marcos tratados no livro. Gráfico elaborado para este post com dados da Wikipedia ("The Innovators (book)" e verbetes de cada marco, listados ao final).

O autor

Walter Isaacson nasceu em Nova Orleans em 20 de maio de 1952. Formou-se em história e literatura em Harvard, em 1974, e depois estudou filosofia, política e economia em Oxford, como bolsista Rhodes. Entrou na Time em 1978 e virou editor da revista em 1996. Em 2001, assumiu a presidência da CNN, e de 2003 a 2018 dirigiu o Aspen Institute. Hoje é professor de história na Universidade Tulane, onde dá todos os anos o curso "The Digital Revolution". Antes de Os inovadores, escreveu biografias de Henry Kissinger, Benjamin Franklin, Albert Einstein e Steve Jobs. Depois vieram as de Leonardo da Vinci, Jennifer Doudna e Elon Musk.

Walter Isaacson na TechCrunch Disrupt de 2014, em San Francisco

Walter Isaacson na TechCrunch Disrupt, em San Francisco, em setembro de 2014, um mês antes do lançamento do livro. Foto: TechCrunch (redimensionada), Wikimedia Commons, CC BY 2.0.

O livro

São doze capítulos. O primeiro é sobre Ada Lovelace, e os seguintes tratam do computador, da programação, do transistor, do microchip, dos videogames, da internet, do computador pessoal, do software, dos serviços online e da web. O último se chama "Ada Forever" no original. Pelo caminho aparecem Alan Turing, Grace Hopper, John von Neumann, Robert Noyce, Bill Gates, Steve Jobs e Tim Berners-Lee, entre outros. Segundo a NPR, o livro reúne mais de 40 personagens.

Em entrevista à rádio, Isaacson disse que os biógrafos distorcem um pouco a história quando contam a inovação como o estalo de um gênio sozinho numa garagem. Na era digital, ela acontece em equipes. Ele percebeu isso ao escrever sobre Steve Jobs, quando viu o peso do time em volta do biografado.

Como o livro foi escrito

Durante a pesquisa, Isaacson publicou rascunhos de capítulos em sites como o Medium e pediu correções aos leitores. Na entrevista ao Fresh Air, Isaacson disse que 18 mil pessoas comentaram e sugeriram mudanças em um único capítulo curto, o do computador pessoal, entre elas Stewart Brand.

Em dezembro de 2015, a Simon & Schuster publicou uma edição eletrônica revisada, que corrigiu erros do capítulo sobre software. Isaacson entrevistou Bill Gates, mas não Paul Allen, e na primeira versão deu a Gates quase todo o crédito pelo início da Microsoft.

Recepção

Peter Conrad, no Guardian, chamou o livro de uma história lúcida, empolgante e divertida da era digital. Ele criticou o otimismo do autor, que deixa de fora o lado sombrio da internet e confia na Wikipedia mesmo com ela exposta a vândalos e mentirosos.

Jonathan A. Knee, no DealBook, do New York Times, achou a história necessária e bem contada, mas viu uma contradição na tese. Para ele, o próprio relato está cheio de ideias que surgem no chuveiro ou durante o sono, e nenhuma, de que ele se lembre, numa sessão de brainstorming em equipe. Knee também viu pouco domínio da economia dos negócios e pouco equilíbrio na parte final: a computação em nuvem fica de fora, e Amazon e eBay aparecem de passagem ou nem aparecem.

Li o livro em novembro de 2023 e dei cinco estrelas no Goodreads. Na resenha, escrevi:

Those who loved Pirates of Silicon Valley will love this book! The title does not endorse the full potential of the history of computers, software, and the internet.

I wouldn't expect less than awesome reading from Isaacson.


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Leia também: Computadores não são só calculadoras mais rápidas, Matéria escura, de Blake Crouch: livro e série.

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