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A decodificadora, de Walter Isaacson: resenha do livro

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Neste post, a resenha de A decodificadora, de Walter Isaacson, mais um livro da série de leituras avaliadas no Goodreads.

Capa de A decodificadora, de Walter Isaacson

Capa: divulgação/Intrínseca. Todos os direitos reservados, uso para fins de resenha.

Quando Jennifer Doudna estava na sexta série, o pai deixou na cama dela um exemplar de A dupla hélice, o livro em que James Watson conta a descoberta da estrutura do DNA. Décadas depois, ela dividiria com a francesa Emmanuelle Charpentier o Nobel de Química de 2020, "pelo desenvolvimento de um método de edição de genoma". A decodificadora é a biografia de Doudna escrita por Walter Isaacson. O livro saiu nos Estados Unidos em 9 de março de 2021, pela Simon & Schuster, como The Code Breaker. Estreou em primeiro lugar na lista de não ficção do New York Times.

A Intrínseca lançou a edição brasileira em 19 de março de 2021, com tradução de Rogerio W. Galindo e Rosiane Correia de Freitas e 576 páginas, segundo a página do livro na editora.

O autor

Walter Isaacson nasceu em Nova Orleans em 1952. Foi editor da Time, presidente da CNN e CEO do Aspen Institute, e hoje é professor de história na Universidade Tulane. Antes deste livro, escreveu biografias de Benjamin Franklin, Albert Einstein, Steve Jobs e Leonardo da Vinci, além de Os inovadores (resenha aqui). Depois veio a de Elon Musk.

Walter Isaacson em Nova York, em 2012

Walter Isaacson na festa da Vanity Fair do Festival de Tribeca, em Nova York, em abril de 2012. Foto: David Shankbone (redimensionada), Wikimedia Commons, CC BY 3.0.

Isaacson acompanhou a personagem de perto. "Jennifer foi extraordinariamente aberta. Me deixou fazer qualquer coisa, falar com qualquer pessoa e estar em todas as reuniões dela", disse ele à revista Science, numa entrevista citada pela Kirkus Reviews.

O livro

Doudna nasceu em 1964 e cresceu em Hilo, no Havaí, para onde a família se mudou quando o pai foi dar aulas de literatura americana na universidade local. Fez doutorado em Harvard e, em 2002, entrou para a Universidade da Califórnia em Berkeley. Em 2006, conheceu o CRISPR, um sistema de sequências repetidas de DNA que as bactérias usam para se defender de vírus.

Segundo o comunicado do Nobel, Charpentier publicou em 2011 uma descoberta sobre esse mecanismo e, no mesmo ano, começou a trabalhar com Doudna. As duas recriaram em tubo de ensaio a "tesoura genética" das bactérias e mostraram que ela podia ser programada para cortar qualquer molécula de DNA num ponto escolhido. O artigo saiu na Science em 2012.

Para a Kirkus, o primeiro terço do livro trata da vida e da carreira de Doudna. Depois, Isaacson abre o foco para a corrida por aplicações, o debate moral e as brigas por crédito e patentes. Uma delas opôs a Universidade da Califórnia ao Broad Institute, ligado ao MIT e a Harvard. Lá, Feng Zhang mostrou, meses depois do artigo de 2012, que a técnica funcionava em células humanas. Em setembro de 2018, um tribunal de apelação decidiu a favor da patente do Broad.

Em novembro de 2018, o biofísico chinês He Jiankui anunciou o nascimento de duas gêmeas cujos embriões ele tinha editado para torná-las resistentes ao HIV. Em dezembro de 2019, um tribunal chinês o condenou a três anos de prisão por prática ilegal da medicina. Numa entrevista ao programa Fresh Air, da NPR, Isaacson contou que Doudna teve um pesadelo em que alguém pedia para entender a nova tecnologia. Quando a pessoa levantava o rosto, era Adolf Hitler. Depois disso, ela passou a reunir cientistas para discutir limites, principalmente para as edições que passam para os descendentes. O livro também acompanha o uso do CRISPR na pandemia e a corrida pelas vacinas contra a Covid-19.

Jennifer Doudna no Innovative Genomics Institute, em 2021

Jennifer Doudna no Innovative Genomics Institute, em Berkeley, em julho de 2021. Foto: Christopher Michel (redimensionada), Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

Recepção

A Kirkus Reviews chamou a obra de "um livro vital sobre a próxima grande novidade da ciência". Para a revista, Isaacson explica o CRISPR com clareza, com gráficos e analogias. Quem tem noções de biologia de nível universitário vai aproveitar mais, mas ninguém vai se arrepender da leitura. A Publishers Weekly escreveu que o resultado é um relato envolvente de um grande avanço científico e dos cientistas dedicados que o tornaram possível. Em julho de 2021, a Kirkus noticiou, com base no Hollywood Reporter, que o produtor Mark Gordon tinha comprado os direitos do livro para fazer uma série limitada de TV.

Leitura feita em agosto de 2026, na edição original em inglês. Avaliação de cinco estrelas no Goodreads.


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