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Recursão, de Blake Crouch: resenha do livro

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Neste post, comento Recursão, de Blake Crouch, mais um livro da série sobre leituras que avaliei no Goodreads.

Capa de Recursão, de Blake Crouch

Capa: divulgação/Intrínseca. Todos os direitos reservados, uso para fins de resenha.

Em 2018, em Manhattan, o detetive Barry Sutton tenta convencer uma mulher a não pular do alto do Poe Building. Ann Voss Peters diz sofrer da Síndrome da Falsa Memória, uma condição que parece estar se espalhando e que faz as pessoas lembrarem, em tons de cinza, de vidas que nunca viveram. Ela se lembra de um casamento com um homem cuja primeira esposa pulou do mesmo prédio quinze anos antes. Barry não consegue impedir a queda. Recursão foi publicado nos Estados Unidos em junho de 2019 pela Crown e lançado no Brasil pela Intrínseca.

A edição atual da Intrínseca, de agosto de 2023, tem tradução de Sheila Louzada e 320 páginas, segundo a página do livro na editora.

O autor

Blake Crouch nasceu em 1978, na Carolina do Norte. Escreveu a trilogia Wayward Pines, que virou série na Fox em 2015, e Matéria escura, de 2016, que ele mesmo adaptou para a Apple TV+ (comentei o livro aqui). Recursão deu a ele o primeiro Goodreads Choice Award, na categoria de ficção científica de 2019, com 41.261 votos.

Blake Crouch em um painel da WonderCon de 2016, em Los Angeles

Blake Crouch em um painel de Wayward Pines na WonderCon, em Los Angeles, em março de 2016. Foto: Gage Skidmore (redimensionada), Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0.

A história

O livro alterna dois protagonistas. Barry perdeu a filha, Meghan, de 15 anos, atropelada por um motorista que fugiu, onze anos antes da cena do Poe Building. A investigação sobre a síndrome o leva a um lugar misterioso, chamado Hotel Memory no original.

A outra linha começa em 2007. A neurocientista Helena Smith estuda a biologia da memória e quer construir uma máquina que permita reviver lembranças, com a esperança de ajudar a mãe, que tem Alzheimer. O inventor Marcus Slade, um dos homens mais ricos do mundo, oferece a ela orçamento ilimitado e um laboratório numa antiga plataforma de petróleo no Pacífico. Com o tempo, Slade leva a pesquisa para uma direção polêmica.

Como o livro surgiu

Depois de Matéria escura, Crouch começou um livro sobre inteligência artificial no mundo dos videogames e o deixou de lado depois de escrever boa parte dele, segundo contou à revista Sixtysix. Relendo os cadernos de anotações, voltou ao tema da memória. Num artigo da Smithsonian, leu sobre dois neurocientistas do MIT que implantaram memórias falsas no cérebro de camundongos. "Quando li isso, pensei: este é o meu livro", disse à NPR. Para tornar a ciência plausível, contratou o físico Clifford Johnson, da Universidade do Sul da Califórnia, que leu o primeiro rascunho.

Crouch começou a escrever em fevereiro de 2017 e tinha uma primeira versão em dezembro. À Entertainment Weekly, disse que a segunda metade não cumpria o que a premissa prometia e que jogou fora 40 mil palavras, pouco menos da metade do livro. A versão final ficou pronta no fim de julho de 2018.

Adaptação

Em outubro de 2018, oito meses antes do lançamento, a Netflix comprou os direitos do livro para que a Shondaland, de Shonda Rhimes e Betsy Beers, e a 6th & Idaho, de Matt Reeves, desenvolvessem um filme e uma série. Em 2022, numa sessão de perguntas no Reddit, Crouch disse que Rhimes ainda tinha os direitos de TV por alguns anos e que, se o projeto não andasse, talvez os pegasse de volta para fazer a adaptação ele mesmo, como em Matéria escura. Até junho de 2026, segundo a /Film, nem o filme nem a série tinham sido produzidos.

Recepção

A Publishers Weekly chamou o livro de thriller inteligente e escreveu que Crouch integra conceitos filosóficos sofisticados, como a relação entre o que percebemos como real e a realidade, a um enredo complexo. Para a revista, os fãs de Michael Crichton não deveriam perder o livro. A Kirkus Reviews viu Crouch retomar temas de Matéria escura e escreveu que a trama traz uma história de amor comovente e reflexões sobre o luto e sobre como as memórias nos formam.

Li o livro em maio de 2024 e dei cinco estrelas no Goodreads. Na resenha, escrevi:

It seems to be an extension of the Dark Matter verse. The narrative is very intense, mixing science fiction with time travel in very distinct way.


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Leia também: Matéria escura, de Blake Crouch: livro e série, IA com ressonância magnética para detectar Alzheimer.

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