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O déficit de projeto que trava o crescimento brasileiro

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O Brasil não sofre apenas por falta de recursos, mas por falta de rumo público verificável. Essa foi a ideia mais consistente da conversa entre Vilela e Marco Antônio Villa: o país tem matriz energética limpa, agronegócio forte, terras raras, petróleo, capacidade técnica dispersa pelo mundo e um histórico de crescimento acelerado. Mesmo assim, opera no curto prazo, sem metas estáveis de Estado. Para Villa, a comparação incômoda é simples: China e Coreia do Sul sabem onde querem estar em dez ou quinze anos; o Brasil muitas vezes não sabe onde estará em cinco meses.

A referência a Juscelino Kubitschek funciona menos como nostalgia e mais como mecanismo explicativo. Villa lembra a Pampulha, o Plano de Metas, a expansão energética de Minas, Brasília e a integração do Centro-Oeste para mostrar como um projeto organiza decisões, investimentos e símbolos de futuro. O ponto não é repetir JK, nem ignorar custos e erros históricos. É reconhecer que crescimento de 5% ou 6% ao ano exige escolhas encadeadas: educação, ciência e tecnologia, transporte, saúde, segurança pública e reindustrialização. Sem isso, cada governo tenta reinventar a roda e transforma política pública em disputa de marca.

O obstáculo, na leitura de Villa, não está só no Executivo. Ele aponta a precariedade da elite política, a fragmentação partidária, o legislativo que não legisla sobre temas centrais e o eleitor que frequentemente trata o voto parlamentar como decisão de última hora. O exemplo da ausência de uma lei moderna de impeachment, apesar de dois processos presidenciais desde 1988, ilustra o vácuo: quando o Congresso não resolve, o Supremo é chamado a organizar o procedimento. O resultado é a confusão entre poderes, em que todos reclamam da interferência alheia, mas poucos cumprem sua função básica.

A consequência prática dessa tese é menos abstrata do que parece. Discutir projeto nacional significa cobrar metas mensuráveis na educação, no SUS, na segurança, no orçamento e nas emendas parlamentares; significa perguntar a candidatos ao Legislativo o que pretendem legislar e fiscalizar, não apenas que identidade política reivindicam. O país pode ter potencial, mas potencial não governa. Sem planejamento, instituições responsáveis e eleitor disposto a acompanhar o mandato depois da urna, a esperança brasileira continuará sendo um recurso retórico, não uma política de desenvolvimento.

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