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Carreira em tecnologia: o problema vem antes da ferramenta

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A escolha da ferramenta certa é uma aposta frágil quando o mercado muda mais rápido do que qualquer plano de carreira. A trajetória que Fabio Akita revisita, entre 1996 e 2002, mostra um mecanismo mais estável: aprender tecnologia porque há um problema concreto a resolver, não porque uma linguagem parece garantir futuro. No período, ele passou por Director, HTML, Flash, ASP, SQL Server, PHP, Python e SAP sem tratar nenhuma dessas ferramentas como identidade profissional.

O ponto fica claro nos exemplos mais materiais da conversa. Em 1997, a internet era lenta demais para entregar a experiência que um CD-ROM permitia. Um projeto para o Fiat Marea exigia gravar um master que, uma vez prensado, não poderia ser corrigido por um deploy posterior. A decisão de tentar estruturar componentes em Lingo, sem documentação adequada e sem Google, gerou bugs, noites viradas e pressão real. Não aparece ali uma defesa romântica do sofrimento: Akita ressalva que varava noites porque prometia mais do que sabia entregar e porque ainda não era bom o suficiente.

O bug do milênio reforça a mesma tese por outro caminho. O problema não chegaria apenas na virada de 1999 para 2000; boletos datados para meses à frente já podiam quebrar sistemas antes disso. Na STI, a solução escolhida foi reescrever uma administração feita em Clipper para ASP e SQL Server. Era arriscado, talvez mais arriscado do que corrigir o sistema antigo, mas obrigou a lidar com dados corrompidos, cobrança, atendimento e migração real. A tecnologia importava menos como moda do que como instrumento para impedir que clientes recebessem cobranças erradas.

A bolha da internet acrescenta a consequência econômica. Produtos gratuitos como o HPG pareciam caros demais para sustentar, mas podiam ganhar valor por escala e venda para um grupo maior. A PSN fechou depois do crash, e mesmo assim o trabalho seguinte apareceu no mundo corporativo, com SAP e integração web. A lição prática não é copiar a rotina de alguém que começou nos anos 90. É trocar a pergunta “qual linguagem terá carreira por dez anos?” por outra mais dura: que problema real está perto o suficiente para obrigar aprendizado, entrega e julgamento de outras pessoas sobre a qualidade do trabalho?

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Referências encontradas

Livros

  • Padrões de Projetos: Soluções Reutilizáveis de Software Orientados a Objetos, de Erich Gamma, Richard Helm, Ralph Johnson, John Vlissides — Ver livro na Amazon

Filmes

Séries

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